CMA-J

Colectivo Mumia Abu-Jamal

Os serviços secretos israelitas e a intangível revolta palestiniana

 
"Abed Omar Qusini, Reuters A "revolta das facas" é feita por adolescentes, sem chefes, sem partidos, sem armas a não ser as brancas e, muitas vezes, sem vontade de continuar a viver. Para a Mossad e para o Shihn Beth é um inimigo impossível de detectar."
 
"A conclusão é tirada por Yossi Melman, um antigo operacional dos serviços secretos israelitas e, desde há muitos anos, o principal especialista na imprensa sobre a comunidade dos espiões. Em artigo hoje publicado no diário israelita Jerusalem Post, Melman compara a segunda Intifada (2000-2004) com isto que poderá tornar-se a terceira. Segundo recorda, "durante a segunda Intifada, a maioria dos terroristas levava explosivos no corpo, para infligir o maior dano possível aos judeus israelitas". Pelo contrário, a nova geração do que chama "terroristas" está, segundo Melman, "equipada de facas, pedras e cocktails molotov; os carros também são uma arma escolhida. Só numa vez foi usada uma pistola". A outra diferença é a organização. Esta existia na segunda Intifada. Os combatentes palestinianos, diz o autor, "andavam, na sua maioria pelos 20 e tantos anos ou mais velhos e pertenciam a grupos e como o Hamas, a Jihad Islâmica, a Fatah ou a Frente Popular [de Libertação da Palestina]". Melman lembra que os autores dos atentados obedeciam a ordens e que havia uma hierarquia clara, como comandantes e soldados "organizados em células clandestinas e redes com uma divisão de trabalho - recrutadores, fabricantes de bombas, motoristas e outros auxiliares". A organização tinha vantagens para os palestinianos, mas também tinha algumas para os espiões israelitas que não eram de todo despiciendas: "Havia endereços claros e alvos a responsabilizar e contra os quais actuar". Hoje, pelo contrário, diz-nos o mesmo autor, "não há endereço, não há comando central que responsabilizar pelos ataques". Isto porque, continua a explicar, os chamados terroristas "são muito mais jovens - adolescentes entre 13 e 20 anos de idade. Nem estão organizados nem filiados. Agem como lobos solitários, por sua própria iniciativa, por vezes com uma decisão instintiva e espontânea, tomada no momento, de levar a cabo um acto de terrorismo" (na foto: jovem palestiniano, ao ser detido por apedrejar os soldados Reuters) E prossegue: "Por isso, é muito mais difícil para os serviços de segurança (...) prever e impedir os ataques". E lembra que "agências de informações podem infiltrar ou recrutar agentes dentro de estruturas organizadas. Podem ouvir ou interceptar comunicações, descobrir as suas armas e explosivos ou inviabilizar os seus planos. Mas não podem penetrar nas cabeças dos indivíduos e ler-lhes os pensamentos". Um exemplo que dá Melman é a resposta de um falcão do Governo israelita, o ministro da Defesa Moshe Ya'alon, quando um dos seus colegas de gabinete, ainda mais radical, o acusou de não fazer o suficiente para sufocar a nova revolta. Ya'alon respondeu ao seu impaciente colega com uma pergunta: "Queres que apreendamos todas as facas de cozinha das casas palestinianas?" Por tudo isto, Melman não acredita que os palestinianos estejam a apunhalar israelitas por serem incitados a isso pelos líderes e pela imprensa palestiniana, quando acusam Netanyahu de querer mudar o estatuto do Monte do Templo. A explicação, diz o veterano israelita dos serviços secretos, é a de haver neste momento entre os palestinianos um "espírito de desespero e frustração por 48 anos sob ocupação israelita, sujeitos às prepotências dos colonos, aos controlos de segurança e aos bloqueios de estradas, confiscos de terra e de água". Os palestinianos, sublinha em seguida, também descrêem do sistema judicial e policial israelita, que "é tão bem sucedido a resolver ataques terroristas palestinianos, mas tão lento em eliminar células terroristas judias, incluindo aquelas responsáveis pelo acto terrível de queimar viva a família Dawabshe numa aldeia palestiniana há uns meses atrás". E, enfim, a nova revolta é, segundo Melman "uma expressão da desobediencia palestiniana e desconfiança para com os seus próprios líderes, acima de tudo o velho Mahmud Abbas, presidente da Autoridade Palestiniana, pela sua corrupção e incapacidade de melhorar as vidas deles". A parafrenália de meios repressivos que está agora anunciada não promete, segundo o autor, especial eficácia. E outros responsáveis dos serviços secretos e do Exército parecem ter emitido, em direcção ao Governo, advertências de semelhante teor." Mas, segundo Melman, "o Governo de direita Netanyahu-Ya’alon recusa-se a ouvir (...) Receia uma guerra civil se decidir desmantelar os colonatos e prefere o status quo como vagas cíclicas de terrorismo que, erradamente, espera saber gerir".

in RTP -Notícias

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